Mangalarga em alta na Bahia

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10/04/2003

Mangalarga em alta na Bahia

 

Com um consumo estimado de um 1,2 bilhão de litros de leite por ano, a Bahia permanece com uma capacidade produtiva 200 mil litros abaixo disso, mas atravessa um período de relativa estabilidade no preço do produto in natura, pago aos produtores. Por outro lado, os criadores de Mangalarga Marchador comemoram a melhoria de qualidade genética do plantel baiano, hoje já o terceiro do País, atrás apenas de Minas Gerais e Rio de Janeiro, segundo a Associação dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador da Bahia. Reunidos na Expo Bahia 2003, cerca de 180 produtores dos dois segmentos esperam realizar negócios em torno dos R$ 5 milhões e trocar informações e tecnologia.

O plantel bovino do Estado está próximo dos 10 milhões de cabeças, com um percentual leiteiro abaixo de 20%, mas os produtores reconhecem a eficiência do sistema integrado de cooperativas, que reúne, além das sete ligadas à Cooperativa Central de Laticínios da Bahia (CCLB), em Feira de Santana, outras quatro independentes, das regiões sul e sudeste (Itabuna, Itapetinga, Vitória da Conquista e Itanhém). Juntas, processam hoje algo em torno dos 100 mil litros/dia. Para Almir Mendes de Carvalho Leite, diretor da Abac e criador de Pardo-Suiço, a Secretaria de Agricultura (Seagri), que apoia e divulga o evento, tem sido uma parceira constante do pecuarista leiteiro e contribui para estabilizar o preço, seja buscando financiamento, fornecendo suporte técnico ou dando orientação ao produtor.

O Secretário de Agricultura, Pedro Barbosa, sugere mais proteção, via mecanismos fiscais, para os produtores baianos. `É preciso evitar que o chamado excedente, da safra de outros estados, ingresse de forma predatória no mercado local, derrubando preços e desestabilizando toda nossa pecuária leiteira`, defende. Juntamente com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas na Bahia (Sebrae-BA), a Seagri está realizando um diagnóstico da cadeia produtiva do leite e em breve deve apontar pontos críticos e soluções. Outra novidade é a entrada da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) nesta equação. `A Ebal comercializa o leite longa vida, em pó, manteiga, além de iogurte e achocolatados`, informa.

Para o diretor de Desenvolvimento, Luiz Antônio Rebouças, as indústrias instaladas têm regularizado os pagamentos aos produtores, estimulados por um cenário nacional e externo em que o preço dos derivados do leite - em pó inclusive -, vêm se valorizando. `Ao contrário do que acontece todo verão, este ano os preços se mantiveram firmes e agora, na entressafra, podem até sofrer elevação`, explica Rebouças, anunciando em breve um selo identificando a marca do sistema integrado para os produtos baianos, uma estratégia de marketing que vai reforçar e valorizar a produção local.

Criadores

O vice-presidente da Associação Baiana dos Criadores(Abac), John Hamilton Dias, que além da pecuária leiteira cria raças tradicionais como o Nelore, lembra que o Estado tem um plantel de alta qualidade, comprovada pelo sucesso de leilões nacionais feitos em TV por assinatura, em que o preço das matrizes leiteiras supera os R$ 22 mil. `Esta foi a média do leilão da fazenda Nova Delhi, feito pela TV e via telefone, no último sábado, onde cerca de 30 animais foram arrematados por compradores todo o país, em menos de uma hora`, lembra.

Já o presidente da Associação dos Criadores de Mangalarga Marchador da Bahia, Géza Urményi, espera que 500 animais da raça, de qualidade, estejam na Expo Bahia 2003, onde pretende demonstrar mais uma vez o desenvolvimento do plantel do Estado. Além da monta natural, dispositivos para transporte de sêmen e técnicas modernas, que permitem a inseminação a fresco até 24 horas depois da coleta, poderão ser vistos durante a feira. Para Gèza, os preços de venda dos animais podem variar muito e dependem de fatores como aspecto físico, características genéticas e morfológicas sobretudo do andamento.

A Expo Bahia 2003 espera receber um público de 100 mil pessoas, entre os dias 24 e 27 deste mês, no Parque de Exposições da Avenida Paralela, em Salvador. O público poderá conhecer diferentes aspectos da agropecuária, como a bubalinocultura (criação de búfalos), apicultura (abelhas) e toda uma gama de produtos rurais, além de cursos para a fabricação de queijos, iogurtes e derivados do leite.

 

Alvaro Figueiredo*, de Salvador
*Especial para a Gazeta do Nordeste