Carne baiana fora da pauta de exportação

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14/06/2003

Carne baiana fora da pauta de exportação

 

A Bahia é o sétimo produtor de carne bovina e dispõe de 9,5 milhões de cabeças – quase 17% do rebanho do País – mas o produto ainda está fora da pauta de exportação. Falta adequar currais e frigoríficos às exigências do mercado internacional, que incluem revestimento total de inox em toda a planta frigorífica e controle para evitar contaminação da carcaça. Os currais devem ser cimentados, os canos galvanizados e nenhuma estrutura deve ser em madeira. Outros Estados, como Sergipe, Tocantins e Pará, também não cumprem tais exigências.
  
Essas e outras condições só deverão estar completamente atendidas em 2004, visando à exportação para países mais exigentes, como os integrantes da União Européia e os Estados Unidos. Mas é possível que, até o final deste ano, a Bahia já esteja exportando para outros mercados mais flexíveis, a exemplo do Irã, Líbano e Israel. O potencial para exportação é grande no Estado, que conta com 37% do rebanho classificado como novilho precoce, o “baby beef”, carne mais tenra e valorizada internacionalmente. O precoce chega ao abate com 24 a 30 meses, enquanto o gado tradicional é abatido com 48 meses.
  
Os seis anos sem qualquer ocorrência de casos da febre aftosa também contribuem para aumentar o potencial de exportação. A Bahia, assim como o Brasil (com exceção do Estado de Santa Catarina), é considerada zona livre da febre aftosa com vacinação. Plínio Moura, coordenador de Pecuária da Secretaria da Agricultura (Seagri) e dos programas Novilho Precoce e Organização de Frigoríficos, afirma que dois frigoríficos, em Feira de Santana e Itapetinga, estão bem próximos da adequação às normas de segurança alimentar do mercado internacional.
  
Plínio Moura ressalta a pouca expressividade da exportação de carne bovina no País: apesar de ter o maior rebanho comercial do mundo, com 176 milhões de cabeças, o Brasil exporta somente 10% de sua produção. Assim como na China, segundo maior rebanho comercial, com 106 milhões de cabeças (a Índia tem 200 milhões mas, por questões religiosas, não abate o gado), a carne, aqui, é mais destinada ao consumo interno, estimado em 37 kg por pessoa/ano, média que também é a da Bahia. (B.F.)