Criadores de camarão querem crédito para custeio

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10/08/2004

Criadores de camarão querem crédito para custeio

 

Adriana Thomasi

Pedido para criação de uma linha especial tem por objetivo proteger o setor de represálias dos Estados Unidos. Os produtores de camarão do nordeste vão sugerir ao ministério da pesca e ao Banco do Nordeste do Brasil (BNE), durante a realização do XIII Simpósio Brasileiro de Aqüicultura (Simbraq), a criação de uma linha de crédito de custeio para o setor. O objetivo é criar um lastro para que os produtores brasileiros tenham condições de enfrentar as barreiras comerciais que os Estados Unidos ameaçam impor ao produto brasileiro. "O camarão é o segundo produto na pauta de exportação nordestina, perde apenas para o açúcar", afirma o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC) Itamar Rocha.

Ele adianta que a intenção de se reunir com o ministro da pesca, José Fritsch, e com o presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Roberto Smith, é avaliar a possibilidade de criar uma linha de crédito de custeio para o setor. "A capitalização é fundamental no momento que os criadores enfrentam a ação de dumping dos Estados Unidos", observa. Para Rocha, a medida permitirá a estocagem e dará maior poder de barganha na hora da negociação.

O Simbraq, realizado no Centro de Convenções Edson Queiroz, em Fortaleza, debate as potencialidades da aqüicultura, com uma programação que envolve rodada de negócios, palestras, conferências e minicursos, os aspectos econômicos, sociais e ambientais da aqüicultura no Brasil. Temas como a política de intercâmbio técnico científico e comercial, entre organizações públicas e privadas, a regulamentação e licenciamento ambiental, além das políticas de financiamento e de custeio da atividade aquícola, inovações tecnológicas, biotecnologia, biossegurança, valor agregado e a práticas ambientalmente corretas, fazem parte da pauta do encontro, aberto ontem à noite.

O ministro José Fritsch, da secretaria Especial da Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap), um dos palestrantes de hoje, aborda temas como as linhas de crédito e o potencial do setor. O presidente evento, Enox de Paiva Maia, pretende mobilizar cerca de 1.500 pessoas, entre produtores, técnicos, cientistas e representantes de governo, de todo o País.

Política para o setor

A expectativa de produtores e dirigentes é definir uma política de apoio ao setor, assegurando agilidade nos financiamentos de custeio, no licenciamento ambiental e nas exportações, segundo Maia, também diretor da Associação Brasileira de Aqüicultura (Abraq) e da Nacional dos Criadores de Camarão (ANCC).

As exportações do setor somaram US$ 107,5 milhões no semestre, diante dos US$ 105,4 milhões, de janeiro a junho de 2003, de acordo com a ABCC. "Os resultados foram positivos, apesar da ameaça de dumping dos Estados Unidos, hoje o segundo melhor mercado para o crustáceo brasileiro", assinala Itamar Rocha, presidente da entidade e um dos palestrantes da semana. Dados da ABCC mostram que cerca de 76% dos negócios do semestre foram dirigidos à Europa, e os demais 21% para o mercado norte-americano. No total, os produtores negociaram 28,5 mil toneladas de camarão, enquanto o ano passado, no mesmo período, foram 26,5 mil toneladas. Este ano, a estimativa é produzir 117 mil toneladas para uma área de cultivo de 18 mil hectares no País, diante dos 14,8 mil hectares do ano passado.

A carcinicultura, consolidada nas regiões costeiras do Nordeste, vem registrando expansão nos últimos anos, acrescenta o presidente da Associação dos Engenheiros de Pesca do Estado do Ceará, José Roberto Pinto Cavalcante, também vice-presidente da Federação das Associações dos Engenheiros de Pesca do Brasil. Segundo informa, o incremento produtivo registrado foi de cerca de 50%, entre 2002 e 2003, quando o setor produziu 90.190 toneladas, 58.455 toneladas exportadas, com divisas da ordem dos US$ 226 milhões. "A crescente demanda do produto no mercado internacional, rentabilidade do agronegócio, geração de emprego e renda e de divisas, têm garantido crescimento acelerado da atividade no Estado", afirma Cavalcante, ao considerar a atividade atrativa para investimentos.

O setor gera cerca de 2 empregos diretos por hectare de viveiro cultivado, de acordo Cavalcante, para quem a zona costeira do Ceará tem um potencial estimado para a instalação da ordem de 20 mil hectares de viveiros, representando a possibilidade de gerar 40 mil novos postos de trabalho e cerca de US$ 600 milhões em exportações anuais, na plena produção. "O Ceará registrou incremento da ordem de 48% nas exportações de 2003 em relação ao exercício anterior, com negócios de US$ 80,9 milhões", aponta. Hoje, o Estado ocupa o segundo lugar no ranking nacional em termos de produção, sendo líder em produtividade, alcançando uma média de 7676 quilos por hectare/ano.

Feira de equipamentos

Durante o Simbraq ocorre ainda a feira de produtos e serviços aquícola, com novidades em máquinas, equipamentos, insumos, matérias-primas e serviços, nas áreas de produção, engenharia de construção, processamento, embalagem e transporte de pescado. "Vamos reunir cerca de 50 expositores de diferentes nacionalidades", diz Enox Maia. Peru, México, Bélgica e Estados Unidos, além dos nacionais, estão na lista.

De acordo com o dirigente, mais do que a possibilidade negócios entre produtores e fornecedores, a participação abre perspectiva para instalação dessas empresas no Brasil, em especial, no Nordeste, que concentra a maioria dos empreendimentos no setor. Novidades sobre as cadeias produtivas da carcinicultura, ranicultura, algocultura e tratamentos de afluentes e efluentes também fazem parte da proposta da feira.

O simpósio é uma realização da Associação Cearense de Aqüicultura (ACEAq); Associação Brasileira de Criadores de Camarões (ABCC); Associação Cearense de Criadores de Camarões (ACCC); Associação Norte Riograndense de Criadores de Camarões (ANCC); Associação dos Engenheiros de Pesca do Ceará (AEP-CE); secretarias da Agricultura e Pecuária (Seagri), do Turismo (Setur), do desenvolvimento Econômico (SDE) Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae-CE).

kicker: Intenção dos produtores é oficializar o pedido durante o Simbraq

kicker2: Atividade registrou expansão de 50% entre os anos de 2002 e 2003