Bahia tenta conter praga da banana

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24/08/2004

 Bahia tenta conter praga da banana


Sigatoka-Negra, que provoca perda de até 100% nas lavouras, tem condições ideais para se alastrar no estado


Alvaro Figueiredo


A Sigatoka-Negra, mais grave doença da bananeira em todo o mundo, dotada de alto poder de disseminação, e capaz de provocar perdas de até 100% da produção, será avaliada hoje pela cadeia produtiva da Bahia, e técnicos da Secretaria de Agricultura. A preocupação de produtores, órgãos de defesa, pesquisa e extensão, que integram o Seminário Sigatoka-Negra, é criar mecanismos de defesa que impeçam a introdução da praga no território. O evento acontece no auditório da Seagri, desde as 8 h desta manhã, em Salvador.

"Com temperatura e umidade favoráveis, essa praga poderá encontrar condições para seu largo desenvolvimento", comenta o diretor geral da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Luciano Figueiredo, esclarecendo que alternativas, como a introdução de espécies resistentes nos campos de cultivo estão sendo adotadas em caráter de urgência.

Durante o seminário, pesquisadores da Embrapa vão apresentar aos participantes um panorama da praga, mostrando as formas de ocorrência, dispersão e a situação do pomar após a introdução da doença. Serão apresentadas ainda variedades resistentes e métodos de manejo da cultura, além de em curso, adotadas pelo Ministério da Agricultura, e o Programa Estadual de Prevenção à Introdução da Sigatoka-Negra, elaborado pela Adab em parceria com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (Ebda) para o controle da doença no País.

"Todas as medidas estão sendo tomadas para proteger a produção no estado", afirma Luciano Figueiredo, explicando que a praga ataca inicialmente as folhas da bananeira, causando rápida decomposição. Além disso, reduz a capacidade fotossintética da bananeira, provocando a morte da planta antes mesmo da formação do cacho de frutos. "Como conseqüência imediata, tem-se a redução da produção, mas podendo chegar até a extinção completa do pomar".

Tecnologia

"A incorporação do processo produtivo de tecnologias disponíveis, tais como variedades resistentes, manejos de cultura e equilíbrio nutricional constituem-se nos principais pilares para a implantação de pomares sadios", avalia o presidente da EBDA, Joaquim Santana, informando que a EBDA, vem atuando em diversas regiões produtoras no sentido de prevenir o aparecimento da praga. "No tocante à pesquisa, a EBDA vem incentivando a introdução de mudas geneticamente melhoradas e resistentes à doença, produzidas pela empresa Campo que trabalha com biotecnologia e mantém convênio com a Seagri/EBDA e a Embrapa", revelou.

Joaquim disse ainda que a empresa está procedendo à instalação de campos experimentais e a realizando a distribuição das mudas geneticamente resistentes aos bananicultores. "Na área de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), a EBDA vem instruindo os agricultores quanto aos perigos da doença e capacitando-os em novas técnicas de cultivo, através dos escritórios localizados nas áreas produtoras", comentou.

De acordo com dados da FAO, em 2002, a banana foi a segunda fruta mais produzida no mundo, cultivada em 124 países e ocupando área de 4,5 milhões de hectares, totalizando produção de 68,3 milhões de toneladas. No Brasil, dados do IBGE, situam a bananicultura como segunda fruta mais produzida, ficando atrás apenas da laranja. A área colhida é de 510,3 mil hectares, e a produção de 6,2 milhões de toneladas de frutos. São Paulo, Pará e Bahia são os principais estados produtores. "Desde julho, São Paulo apresenta focos doença, e nossa preocupação é também evitar a sua introdução no estado a partir da importação do produto, ou mesmo na palha deixada em caminhões usados para o transporte da fruta", explica o diretor da Adab, Luciano Figueiredo, assegurando que uma rígida barreira está montada nos postos de fiscalização para prevenir este risco.

A área cultivada de banana na Bahia aumentou de 48 mil hectares, em 2003, para 51 mil neste ano, ainda com base nos dados do IBGE. A expectativa é de que a produção alcance 784 mil toneladas este ano, o que daria ao estado a posição de segundo maior produtor nacional, superando o Pará. "Para manter esta meta, está claro que devemos empreender todos os esforços para impedir o contágio de nossa produção", raciocina Figueiredo. Dados do Ministério da Agricultura, em 2002, apontam que o setor gerou mais de 500 mil empregos diretos. "Além disso, 99% da produção baiana é consumida no estado", diz o diretor de Defesa Vegetal da Adab, Cássio Peixoto.

kicker: Cadeia produtiva discute em seminário formas de proteção.