Morangos capixabas na Bahia

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30/08/2004

Morangos capixabas na Bahia

Valendo-se da baixa produção, empresa do Espírito Santo anuncia campanha de marketing para vender mais



ARI DONATO

O morango pode ser cultivado no interior de residências, plantado em vasos como uma outra planta qualquer. Mas sem a garantia de que irá dar frutos, pois exige condições específicas, principalmente quanto ao clima, diz o engenheiro-agrônomo Juliano Pissinati, da Peterfrut, empresa que opera no Estado do Espírito Santo e é responsável pela venda anual de mil toneladas da fruta aos mercados de Salvador – distribuidores da Ceasa, rede Bompreço e Perine – Feira de Santana e Juazeiro.

Algumas regiões frias e altas da Bahia produzem esta fruta, mas em volume inexpressivo, devido justamente a essas tais condições climáticas e outras que prejudicam a plantação. O Estado do Espírito Santo, geograficamente mais ao sul, colhe cinco mil toneladas de morango por ano, em 200 hectares, sendo que a Peterfrut absorve de 70% a 75% da produção. Entre os frutos destacam-se os das variedades Oso Grande, Camorosa e Tudla, considerados mais doces e preferidos dos consumidores do Nordeste.

Os capixabas devem produzir cerca de 5,6 mil toneladas de morango este ano (cada hectare rende, em média, 35 toneladas). O plantio começou em março e a colheita é feita entre setembro e outubro, com ápice no mês de agosto, embora as melhores frutas, dizem os especialistas, são colhidas em julho, quando as lavouras estão novas, menos expostas a doenças. O grosso da produção de morangos do Espírito Santo vai para cidades do Nordeste do País.

De olho no mercado baiano, que representa 30% de suas vendas, representantes da Peterfrut, acompanhados de diretores do Instituto Capixaba de Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), reuniram-se (dia 12 de julho) com técnicos da Secretaria da Agricultura da Bahia com intuito de divulgar convênios assinados com órgãos públicos do Espírito Santo e de Pernambuco para desenvolvimento do programa de qualificação “Morango das Montanhas do Espírito Santo - Qualidade com Responsabilidade”, do governo capixaba.

“O mercado da Bahia é excelente, pois o baiano aprecia muito o morango, por isso vamos ampliar nosso trabalho de marketing em Salvador e outras cidades do Nordeste, divulgando as variedades Oso Grande, Camarosa e Tudla, que são maiores que a variedade Dover”, disse Marcelo Rodrigues Lopes, da Peterfrut. A preocupação maior, afirma, “é desmitificar a suposição de que morangos grandes, principalmente dessas novas variedades, estejam entupidos de agrotóxicos”.

Durante a reunião com técnicos da Seagri, os capixabas apresentaram ao Ministério Público e à Defesa Vegetal e Vigilância Sanitária da Bahia procedimentos adotados na qualificação do morango, listando cuidados com formas de produção, manejo, colheita, embalagem e transporte, qualificação de agrônomos e de frigorífico, além de inspeções sanitárias, com análises realizadas pelo Instituto Tecnológico de Pernambuco para averiguação de resíduos agrotóxicos.