Fruticultura irrigada puxa o agronegócio cearense.

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09/09/2004

Fruticultura irrigada puxa o agronegócio cearense.


Localização estratégica em relação à Europa, clima favorável e organização possibilitam competitividade ao setor


Adriana Thomasi


Indicadores positivos embalam o futuro do agronegócio no Ceará. O gerente de informações Agrícolas da secretaria da Agricultura e Pecuária do Estado (Seagri), Sérgio Baima, trabalha com a expectativa de alcançar 95 mil hectares irrigados, até 2010. Desse total, 50,8 mil hectares de fruticultura, representando 53% do global - e incremento de 182%, se comparado a 1999, quando o estado começou a apostar na técnica e a área atingia 18 mil hectares. Ano passado, fechou com 26,7 mil hectares irrigados, expansão de 48%, ampliando em 8,7 mil hectares a área de frutas e projeta 46 mil hectares para 2007.

Na fruticultura, as exportações estimadas devem alcançar os US$ 30,4 milhões, diante dos US$ 21,6 milhões do exercício anterior", calcula Sérgio Baima, gerente do sistema de informação gerencial agrícola da Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagri). A soma corresponde a evolução de 35% sobre 2002, que ficou em US$ 15,596 milhões.

Liderança

O melão lidera os embarques cearenses para o exterior, e o estado é o segundo do País nesse tipo de fruta, com volume previsto de US$ 23 milhões para o ano, diante dos US$ 18,16 milhões de 2003. A área cultivada de melão passou de 4.798 hectares ano passado, para 5.586 hectares. Frutas como o mamão, banana, melancia e a uva, juntos, devem somar mais US$ 1 milhão em 2004.

O setor deverá fechar 2004 em 20 mil empregos diretos, na comparação aos 17,063 mil, de 2003, chegar a 30,9 mil hectares irrigados. Há 10 anos, o Ceará participava com menos de 1% do total das exportações brasileiras de frutas e deverá evoluir para 7,6% neste 2004.

Nesse ritmo, Baima se anima a projetar exportações de frutas de US$ 134,5 milhões, representando 15% do total do País, gerando cerca de 37 mil empregos diretos, em cerca de 6 anos. Localização estratégica em relação aos centros compradores da Europa, clima favorável e organização possibilitam competitividade ao setor, acrescenta o presidente do Instituto Frutal Euvaldo Bringel Olinda.

O coordenador da assessoria técnica da Seagri, Francisco Zuza de Oliveira, diz que governo do Estado tratou da infra-estrutura para fortalecer desenvolvimento do setor e atrair investimentos. O Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, e o Terminal Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, a 53 quilômetros da Capital, rodovias e de projetos de irrigação, além do estabelecimento de parcerias com instituições tecnológicas e de pesquisa, possibilitaram suporte às atividades, enumera.

O canal da integração, por exemplo, ampliou em 40% a disponibilidade de água para a agricultura irrigada, lembra o coordenador. "O Ceará tem um programa de gestão e acumulação de água destinado à produção e ao consumo, planejado até 2030", afirma Zuza. Hoje, a capacidade armazenada chega a 17 bilhões de metros cúbicos nos 26 açudes, que têm 95% acumulado, informa.

"O futuro da agricultura irrigada não é do Estado que tem muita água, mas daquele que domina a gestão desses recursos", afirma. Os Centecs, centro de formação tecnológica, por sua vez, atuam na formação de profissionais e prestam serviço aos produtores e exportadores, com 43 unidades distribuídas no interior do Estado.

Suporte técnico

O Programa Cearense de Agricultura Irrigada (Proceagri), ainda conforme Zuza, resultou as ações como a definição de Agropólos, com divisão por regiões de acordo com potencialidades, onde foram focadas as principais políticas para a exploração sustentável do setor produtivo. "Com base em análise de mercado, definimos as 6 frutas com maior potencial, caso do abacaxi, banana, mamão, manga, melão e uva, mas sem descartar outras possibilidades", observa.

A conquista e manutenção da certificação de área livre de mosca das frutas, em 2003, reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 7 municípios - Aracati, Icapuí, Itaiçaba, Jaguaruana, Russas, Quixeré e Limoeiro do Norte - da região do Baixo Jaguaribe, maior produtora do Ceará, foi fundamental para melhorar a competitividade das exportações do setor principalmente para os Estados Unidos. "Hoje somos competitivos pelo que temos e não pelo que oferecemos", garante Zuza.

As exportações brasileiras do abacaxi cultivado em Minas Gerais, São Paulo e Tocantins, em especial, seguem e para o Mercosul (97%), com destaque a Argentina, maior importador. A União Européia fica com 3% do global. "Os embarques ao exterior têm sido modestos e irregulares, alcançando cerca de US$ 10 milhões em 1993, e recuando para US$ 2,8 milhões ano passado", esclarece Sérgio Baima, da Seagri, para quem 2004 vai ser um marco.