Bahia embarca para Europa primeira remessa de abacaxi

Text Resize

-A +A

Compartilhar

13/09/2004

Bahia embarca para Europa primeira remessa de abacaxi


São 20 toneladas da fruta, que seguirão brevemente para os mercados de Portugal, Espanha e Polônia


Alvaro Figueiredo


Com destino a Portugal, Espanha e Polônia, partiu ontem do Porto de Salvador o primeiro carregamento de abacaxis para exportação da Bahia. Produzidas no entorno rural de Itaberaba, a 276 quilômetros de Salvador, na microrre-gião do Piemonte da Chapada Diamantina, as frutas, do tipo pérola, foram cultivadas pelos integrantes da Cooperativa de Abacaxis do município.

Ao todo, 20 toneladas serão comercializados entre os três países europeus. O próximo carregamento está previsto para embarque no dia 22 deste mês.

Alto teor de açúcar

"A qualidade das frutas empolgou o exportador, representado pela empresa Terra Fértil Importações e Exportações, sediada em Miracema, no Tocantins, principalmente pelo alto teor de açúcar registrado nos testes", comemorou o presidente da cooperativa, Pedro Paulo Santos. Medido em graus Brix, o abacaxi produzido pelos cooperados de Itaberaba atingiu 17 Brix, enquanto a média é de 12 ou 13 Brix. Santos acrescenta que a região, a maior produtora da fruta no estado, é promissora para alavancar vendas para o mercado internacional.

Projeto Caldeirão

"Estamos aguardando a conclusão da barragem Bandeira de Melo, que está sendo tocada pelo governo do estado. Concluída esta etapa, será possível irrigar uma área de 1,5 mil hectares do Projeto Caldeirão, em fase de implantação na região", disse Santos. A construção da Barragem de Bandeira de Melo, na Bacia do Rio Paraguaçú, foi iniciada há cerca de um mês, autorizada por edital assinado pelo governador Paulo Souto, tem conclusão prevista até julho de 2005, e deve beneficiar 95 mil habitantes dos municípios de Itaetê, Boa Vista do Tupim, Marcionílio Souza, Iaçu, além do próprio Itaberaba.

Parceria

O superintendente do Agronegócio da Secretaria da Agricultura da Bahia, João Aurélio Viana vê a partida exportação como o coroamento de cerca de quatro anos de trabalho, desenvolvido em parceria entre a Seagri-EBDA, Embrapa e produtores. "Esses parceiros introduziram a atividade na região, com geração e difusão de tecnologia, decidindo quais variedades se adaptariam ao local. A exportação comprova a competitividade do agronegócio baiano em mercados exigentes como o da chamada zona do Euro", afirma.

Piscicultura

Com 111,59 milhões de metros cúbicos e área de inundação de 2.087 hectares, a vazão prevista para a Bandeira de Melo é de 18,83 metros cúbicos por segundo. Além de reforçar a oferta hídrica para abastecimento humano, especialmente durante os períodos estiagem, o lago formado irá ampliar a oferta de proteínas, graças ao peixamento programado pela Bahia Pesca.

O reservatório formado comportará produção aproximada de até 100 quilos por hectare, cerca de 200 toneladas de peixe por ano. Financiada pelo Banco Mundial(Bird), vai regularizar a vazão do Médio Paraguaçu, viabilizando ainda projetos públicos de irrigação a jusante, como o Caldeirão, Argoim, Flamengo, entre outros. O eixo da barragem está localizado entre os municípios de Marcionílio Souza e Boa Vista do Tupim.

Geração de energia

Para o produtor e presidente da Bolsa de Mercadorias da Bahia, Wilson Andrade, esta e a também barragem de Pindobaçu, no município de mesmo nome, cuja construção foi iniciada no mesmo período, e vai beneficiar 130 mil pessoas das regiões de Pindobaçu, Caém, Saúde a partir da Bacia Hidrográfica do Rio Itapicuru, representam o esforço do estado em melhorar a infra-estrutura.

"Faltam, porém fatores importantes, como a ampliação da oferta de energia, que certamente demandar recursos e esforço, e a urgente recuperação da malha viária de acesso à Chapada e toda região oeste do estado".

Agroeste Bahia

Andrade lembra que essas pendências serão discutidas durante a 5ª Agroeste Bahia 2004, marcada para acontecer entre os próximos dias 21 e 23 deste mês na Bahia.

Desde 1995, o governo do estado investiu R$ 154,8 milhões na construção de barragens, especialmente no semi-árido, dos quais R$ 53,4 milhões foram aplicados na implantação de quatro barramentos de médio e grande portes destinados a usos múltiplos.

A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) investiu R$ 31 milhões em nove barragens específicas para o abastecimento de água, e através da Companhia de Ação e Desenvolvimento Regional (CAR) foram destinados mais R$ 33,4 milhões na construção de 1.288 pequenas barragens de nível.