Agricultura familiar com tecnologia

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09/11/2004

Agricultura familiar com tecnologia


 


Pequenos produtores vão conhecer tecnologias, técnicas de manejo, e procedimentos de gestão e comercialização. Cerca de 15 mil agricultores do estado serão beneficiados com novas tecnologias e equipamentos, apresentados durante a 1ª Feira de Agricultura Familiar da Bahia (AgrifamBahia), a ser realizada entre os próximos dias 18 e 21, em área de 40 mil m², com expectativa de gerar R$ 20 milhões em negócios. Lançada em Irecê, município sede da microrregião que figura tradicionalmente entre os maiores produtores de feijão do País, o evento, promovido pela Secretaria de Agricultura do estado (Seagri), reunirá 120 expositores de produtos como máquinas, equipamentos, implementos e insumos agrícolas. Cerca de 4 mil produtores irão diariamente em caravanas conhecer os novos recursos tecnológicos, técnicas de manejo, e procedimentos de gerenciamento e comercialização.


"Precisamos utilizar tecnologias modernas nas pequenas propriedades, para torná-las mais produtivas. Essa é nossa proposta com a realização da feira, para incluir a agricultura familiar e o trabalhador rural no contexto do agronegócio", comentou o governador Paulo Souto durante o lançamento, destacando que "a feira terá participação de instituições financeiras públicas e privadas, como o Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Desenbahia e Bradesco, que vão garantir financiamento para que os produtores comprem bens necessários para impulsionar seus negócios.


"A Agrifam vai atuar em três frentes: socializar a tecnologia disponível, capacitar e requalificar o produtor familiar rural, e gerar negócios, explica o presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, Joaquim Santana, acrescentando que os produtores levados a visitar a feira, cerca de 15 mil ao todo, estão sendo selecionados a partir da possibilidade de formação de arranjos produtivos, e serão segmentados para atuar verticalmente, unificando a produção. Ele lembra que o estado atua há um ano e oito meses para a inserção social e visibilidade da agricultura familiar.


A atividade é a principal geradora de empregos, produz a maior parte dos alimentos consumidos no País e é responsável por 40% do Valor Bruto de Produção Agropecuária do Brasil, de acordo com o ministério da agricultura. Dos 4,8 milhões estabelecimentos rurais do País, 4,1 milhões (85%) são de base familiar, ocupando 30,5% da área total, gerando 77% empregos do campo. Hoje, 84% da soja, 72% da cebola, 67% do feijão, 58% dos suínos e 49% do milho, 54% da bovinocultura de leite, 40% de ovos e aves e 31% do arroz produzidos no País vêm da agricultura familiar. No Nordeste, os estabelecimentos de base familiar atingem a 88% do total.


Estudos do Incra apontam que apenas 2,7% dos agricultores familiares nordestinos utilizam assistência técnica, enquanto a média brasileira é de 16,7%. Entre produtores do Nordeste, só 16,8% usam adubos e corretivos, e a maioria ainda utiliza força de trabalho manual.


A Bahia é o estado com o maior grupo de produtores familiares do País reunindo 623 mil estabelecimentos rurais de base familiar, 89% dos 700 mil contabilizados em todo o território. Os dados da Seagri superam os índices do País (85%) e da região Nordeste (88%). No estado, o valor bruto da produção agropecuária da agricultura familiar representa 39,8% do total.


"A realização da Agrifam será estratégica para estimular a modernização da atividade familiar e ampliar investimentos que elevem a qualidade e produtividade do setor", comenta o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa de Deus, lembrando que paralelamente serão realizados cursos, palestras e atividades de capacitação técnica. "Os expositores terão área reservada para demonstração operacional dos equipamentos e máquinas, para capacitar trabalhadores com as novas tecnologias e a forma adequada de utilizá-las", explicou.


O Programa Terra Fértil, desenvolvido pelo governo na região, prevê a inclusão de 6,7 mil famílias de agricultores familiares, que terão área específica de atendimento durante a feira, com ações voltadas para fruticultura e horticultura irrigadas, apicultura, bovinocultura de corte e leite, estrutiocultura, suinocultura, caprinovinocultura e agricultura de sequeiro. O programa, baseado na exploração agropecuária e agro-industrial, dá ênfase à escala econômica de produção, buscando verticalização e atendimento a demandas de mercado, para garantir sustentabilidade. "É a capacidade de totalizar em escala a produção do pequeno agricultor que garantirá sua viabilidade econômica", comentou o presidente da Bolsa de Mercadorias da Bahia, Wilson Andrade.