CE surpreende e dobra exportação de flores em 2004

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01/12/2004

CE surpreende e dobra exportação de flores em 2004


 Vendas vão totalizar US$ 2,5 milhões até dezembro; comercialização de rosas bate recorde e soma cerca de US$ 1 milhão.


 


O Ceará vai embarcar para exterior neste ano US$ 2,5 milhões em flores – mais do que o dobro do negociado em 2003. "Apenas em rosas batemos o recorde com exportações de US$ 1 milhão. Os números só não são maiores porque não existe ainda produção suficiente", afirma o coordenador do projeto flores da secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagri), Rubens Aguiar.


Esse desempenho garante ao Ceará a posição de primeiro exportador de rosas do Brasil e o segundo em flores. "Já somos reconhecidos no mercado internacional como exportador de flores de qualidade", acrescenta. Em 1999, o Estado possuía 19 hectares plantados e exportou US$ 64 mil, números que evoluíram para 78,6 hectares e US$ 443 mil, em 2002, crescimento de 692%. No ano passado, com 127 hectares cultivados, os embarques atingiram o equivalente a US$ 1,088 milhão.


Aguiar diz que a área cultivada de flores alcança 160 hectares de flores e deve evoluir mais 50 hectares, em 2005. A expansão prevista para 2007 inclui outros 50 hectares. O técnico trabalha com projeções otimistas também em relação ao faturamento do próximo ano. "Vamos alcançar US$ 7 milhões em exportações de flores, crescimento de 280% sobre os resultados deste ano", diz.


A sinalização de novos projetos e investimentos promete colorir as áreas da região da serra da Ibiapaba, em especial Ubajara, preferida por investidores de diferentes nacionalidades - paulistas, gaúchos, holandeses, franceses, equatorianos, entre tantos, tem migrado para o Ceará, dispostos a expandir a área de cultivo de flores. Qualidade de clima, posição privilegiada em relação aos mercados compradores - Europa, principalmente, e Estados Unidos, vêm entu-siasmando empresários, empenhados em novas variedades e na expansão da área.


Preços atrativos


"O Ceará é atrativo também em função do preço da terra", diz Aguiar. Enquanto em outros países produtores um hectare pode alcançar até US$ 50 mil, no Estado uma área nas mesmas dimensões ficam em torno de US$ 1 mil.


O Ceará decidiu apostar no mercado de flores, que movimenta US$ 8 bilhões no mundo, em 1999, a partir do projeto Flores do Ceará e conseguiu disseminar a cultura, em especial na região da Ibiapaba. Mas há também áreas cultivadas na região metropolitana de Fortaleza, Maciço de Baturité, Cariri, Baixo Jaguaribe e Baixo Acaraú, estes dois últimos em fase inicial. O grupo Reijers, que trocou São Paulo, pelos 300 dias de sol do Ceará, iniciou o plantio na região de São Benedito em 2001 e, no ano seguinte, começou a exportar. Com duas áreas de produção já investiu US$ 5 milhões no projeto que exigiu a contratação de 250 pessoas. "É o maior empregador privado da região", diz Aguiar.


Outros projetos começam a tomar forma, caso da Dole, conhecida como uma das maiores produtoras de frutas e flores do mundo, com projetos no setor de floricultura. Os equatorianos também decidiram investir em terras cearenses. Dois grupos compraram total de 150 hectares de área e, em parceria com empresas holandesas de importação, devem iniciar o plantio no próximo ano. Cada hectare cultivado de rosas tem custo estimado em US$ 250 mil, sem contar a infra-estrutura e aquisição da terra.


O Ceará, de acordo com Aguiar, tem concorrentes, caso da Quênia e Zimbábue e assiste agora a investida da Uganda e da Etiópia, com produção subsidiada por europeus, grandes consumidores de flores e interessados na expansão da área plantada. "Esse é um mercado concorrido e precisamos ser cada vez mais competitivos", diz.


Hoje, 146 produtores cultivam rosas, flores, folhagens e bulbos no estado. A Ceará Bulbos Company (CBC), resultado de investimentos da Schoenmaker, de São Paulo, considerada a maior produtora da variedade no País, já adquiriu uma área para implantar uma unidade em Paraipaba. A novidade é que o negócio envolve a formação de joint venture com uma empresa de produção e outra de comercialização da Holanda. "Isso representa maior competitividade para os produtos cearenses."


Perspectivas positivas


Os produtores, que no início de novembro participaram da Horti Fair 2004, considerada a maior feira do setor de floricultura do mundo, realizada anualmente em Amsterdã, Holanda, saíram com boas perspectivas de negócios. "Estamos conseguindo preços médios superiores aos praticados no mercado internacional", diz Aguiar. A feira atrai público de 55 mil pessoas, entre produtores, técnicos pesquisadores, breeders, investidores, importadores e instituições financeiras, que buscam as principais novidades do setor.


Essa foi a quinta participação do Ceará na feira e o segundo ano consecutivo, com montagem de estande.


Nos 24 metros quadrados de área, espaço financiado pela Agência de Promoção de Exportações (Apex-Brasil), os produtores exibiram rosas, flores tropicais e folhagens, além de vídeos e peças publicitárias, destacando as vantagens competitivas do Ceará. Aguiar afirma ainda que a missão aproveitou o retorno da viagem para escala em Lisboa, Portugal, um mercado ainda pequeno, mas com potencial interessante.


Além disso, o país abre a possibilidade de agregar valor às exportações de flores, a partir da confecção de buquês, que mesclam diferentes variedades e tipos de embalagens, e conseqüente contratação de mão-de-obra. A estratégia de comercializar buquês começou no ano passado, de forma embrionária, e ganhou mais força ao longo de 2004.


Centro de pesquisa


A Seagri inaugura o início de 2005, a Tec Flores, Unidade de Adaptação Tecnológica de Floricultura criada, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para pesquisa e desenvolvimento de novas variedades de flores e materiais. "Estamos montando uma estrutura em condições também de formar e treinar mão-de-obra especializada para o setor." O projeto foi orçado em R$ 500 mil.


"Precisamos dar uma resposta ao mercado", afirma, numa referência ao aumento das quantidades e o desenvolvimento de novas variedades. Os produtores cearenses cultivam diferentes espécies de rosas, e têm nas variedades Akito e Passion, patenteadas no exterior e protegidas por rigorosa legislação, entre mais vendidas no mundo.


Aproximação dos especialistas


O trabalho implementado junto aos "breeders", especialistas no desenvolvimento de novas espécies e responsáveis pela comercialização no mercado mundial, vem ganhando impulso. "Foi um longo trabalho de conquista, mas conseguimos chamar a atenção desses especialistas, que agora planejam instalar uma unidade no Ceará", diz. A francesa Nirp, é uma das empresas de breeder, interessada em expandir seus negócios em terras cearenses.


A evolução do setor também deverá garantir uma rota semanal de avião cargueiro para o transporte de flores do Ceará, a preços mais vantajosos. Hoje, os produtos seguem via aérea em sistema convencional de cargas, a custos elevados, reduzindo a competitividade dos produtores do setor.


O secretário da Agricultura e Pecuária, Carlos Matos Lima, diz que o transporte não é o único problema. O volume de produção ainda pequeno e o crédito escasso, como lembra Matos, ainda atrapalham os negócios. "O Brasil exportou em produtos da floricultura, como flores, plantas bulbos, folhagens cerca de US$ 20 milhões