Custo leva produtor do MT a migrar para a soja

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10/01/2006







Custo leva produtor do MT a migrar para a soja




Desestimulado pelos altos custos de produção e pelo dólar baixo, o produtor Gilson Pinesso decidiu elevar a aposta na soja e restringir a área de algodão nesta safra 2005/06. Ele dedicará apenas 3 mil hectares à cultura, ante os 12,8 mil da temporada passada. A diferença foi "transferida" para o plantio de soja, cultura que tem maior liquidez e ocupará uma área total de 60 mil hectares nas propriedades de Pinesso em Campo Verde (MT) e São Gabriel do Oeste (MS).


"Esta é a primeira vez desde 1998, quando comecei a plantar algodão, que faço uma redução expressiva de área", diz Pinesso. Os 3 mil hectares ainda dedicados por ele ao algodão só foram conservados em respeito aos contratos de exportação firmados.


A decisão de Pinesso é compartilhado por boa parte dos cotonicultores do Centro-Oeste. João Luiz Pessa, presidente da Ampa (associação que reúne os produtores mato-grossenses) e conselheiro da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), muitos agricultores decidiram substituir as lavouras de algodão por soja por conta dos altos custos de produção, estimados em US$ 1.700 por hectare, ante os US$ 500 do grão.


"Os produtores que não conseguiram renegociar suas dívidas ficaram sem capital de giro para a compra de fertilizantes e defensivos", disse Pessa. Embora estejam de fato desestimulados, os produtores tradicionais não devem abandonar de vez a cultura, afirmou o dirigente ao Valor.


O último levantamento de oferta e demanda realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica uma área plantada de 795 mil hectares em 2005/06, 32,6% menos que em 2004/05. A produção está estimada em 950,7 mil toneladas, volume 26,8% menor que na temporada anterior. (MS)