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24/10/2013

Congresso traz novas perspectivas de convivência com a seca para a cadeia produtiva da mandioca

 

Foto: Daniela Silva
Âmbito de discussões sobre inovações e diversidade da cadeia produtiva da mandioca, a décima quinta edição do Congresso Brasileiro da Mandioca traça as novas perspectivas para a mandiocultura no Brasil, por meio da difusão de pesquisas, alta tecnologia e estratégias competitivas sustentáveis. A Rede de Multiplicação e Transferência de Materiais Propagativos de Mandioca com Qualidade Genética e Fitossanitária para o Estado da Bahia (Reniva), foi um dos destaques do segundo dia do evento. “O projeto Reniva realiza a multiplicação rápida de manivas-sementes de alta qualidade genética para regularizar a oferta de material de propagação entre os pequenos produtores, na tentativa de acelerar a recuperação da produção de mandioca comprometida neste período de seca”, afirmou o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, que nos últimos dois anos se empenhou para que o Congresso acontecesse na Bahia.

Na 31º Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados, que também fez parte da programação do Congresso, o pesquisador da Embrapa, Helton Fleck, apresentou as ações do Projeto Reniva em 2013 e as novas perspectivas para o ano de 2014. O Reniva propõe a estruturação da cadeia produtiva da mandioca, através da distribuição de manivas de alta qualidade, estimulando a competitividade, com maior sustentabilidade e produtividade da cultura no Nordeste, região que sofre periodicamente com a estiagem. “Esse projeto acontece num momento oportuno, em que vivemos uma situação complicada com a seca, e terá reflexos nos próximos dez anos”, afirmou Salles, lembrando que o projeto Reniva já se tornou referência nacional.

Além do andamento do Projeto Reniva, a reunião também foi momento de tomada de decisão. “Instituímos hoje uma rede de pesquisadores para organizar uma forma de trabalhar. Essa ação é destinada a organizar as pesquisas voltadas para a cultura da mandioca realizadas por instituições públicas e privadas, como universidades e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O objetivo é integrar essas pesquisas e fazer com que um estudo complemente o outro”, destacou o presidente da Câmara Setorial Nacional de Mandioca, Ivo Pierin, que também chamou a atenção para a importância da atuação da Câmara Setorial na cadeia produtiva. “Além de promover uma maior cooperação entre os produtores do setor, a estruturação da Câmara Setorial direcionada para a mandiocultura reflete na criação de políticas públicas efetivas e embasadas, o que garante a aplicabilidade e eficácia das mesmas”, disse.

Da raiz ao amido

“A mandioca é uma raiz mãe. Essa atividade produtiva está presente na maior parte das propriedades da agricultura familiar, por conta da grande capacidade de adaptação às regiões tropicais e da diversidade de subprodutos derivados da raiz”, ressaltou o secretário executivo da Câmara Setorial da Mandioca e Derivados da Bahia, Izaltiene Rodrigues Gomes, destacando que diferente de algumas culturas que dependem de uma maior infraestrutura e mecanização, a mandiocultura é uma atividade democrática, por permitir o acesso de pequenos, médios e grandes agricultores. “O cultivo pode ser feito até mesmo em alguns quintais produtivos da zona urbana”, disse.

A diversidade de subprodutos constituídos a partir da mandioca foi exposta nos estandes da agricultura familiar. Produtores de diversas regiões do país expuseram produtos alimentícios, como sequilhos, biscoitos, bolos e sorvetes, além de artesanato e produtos de limpeza, feitos a partir da fibra do amido.  “A Bahia é o maior consumidor de farinha do País e essa grande variedade de subprodutos advindos da mandioca garante o sustento de milhares de famílias. Apesar dos graves efeitos da seca em todo o nordeste, a Bahia, por exemplo, já apresenta este ano uma queda de 40% na produção, comparado ao ano de 2012, o Congresso traz alternativas e alta tecnologia na tentativa de minimizar essa queda de produção”, explicou o presidente do Congresso Brasileiro de Mandioca e pesquisador da Embrapa, Carlos Estevão.

“Além da introdução da mandioca e derivados na merenda escolar, a raiz é uma das matérias-primas que compõe cardápios da alta gastronomia, e um dos produtos que deram status de selo de qualidade da agricultura familiar aos grandes restaurantes, o que agrega valor ao produto”, enfatizou o superintendente de Desvolvimento Agropecuário da Seagri, Raimundo Sampaio.

O Congresso, que acontece a cada dois anos, segue até esta sexta-feira (25), reunindo profissionais e produtores que atuam nos setores de pesquisa e produção de mandioca em todo o Brasil. O evento é uma realização da Sociedade Brasileira de mandioca (SBM) e a Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas/BA), em parceria com a Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri).

 

Fonte:
Ascom Seagri
Jornalista: Viviane Cruz
Contato: (71) 3115.2737 /3115.2767