Produtores de soja e milho do oeste fazem encontro anual

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23/02/2015
A Tarde Online
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Agronégocio

Produtores de soja e milho do oeste fazem encontro anual

Cerca de mil produtores, pesquisadores, gerentes de fazenda e consultores participam da 16ª edição da Passarela da Soja e do Milho, em Luís Eduardo Magalhães, oeste baiano, dia 7 de março. O evento, realizado pela Fundação Bahia e pela Embrapa, visa transferir conhecimento e tecnologia para os produtores da região, que se beneficiam não só com informações locais, mas também nacionais.

A fundação é uma entidade sem fins lucrativos que pesquisa soluções para as necessidades dos agricultores da região oeste. "Teremos quatro estações técnicas com plots demonstrativos de estudos feitos pelos pesquisadores da Fundação Bahia e da Embrapa. Em cada uma dessas estações, teremos consultores e produtores dando depoimentos sobre os temas", explica a gerente de desenvolvimento e de marketing da Fundação Bahia, Millena Oliveira. 

As estações técnicas trarão os seguintes temas: o melhoramento da soja; o manejo fisiológico e nutricional do milho e da soja; o manejo do milho em consórcio com espécie de cobertura  e os desafios da produção dessas duas culturas frente às adversidades climáticas, que é o tema central do evento deste ano.

Veranico

O tema central foi escolhido devido aos prejuízos causados pelo veranico (falta de chuvas que atinge a região  nos meses do verão), causador, este ano,  de perdas de produtividade na soja e no milho. 

O  diretor de relações institucionais da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Ivanir Maia, ressalta que essa seca acontece pelo quarto ano consecutivo no oeste baiano.
 
Serão apresentados na Passarela casos de sucesso de produtores que conseguiram lidar com circunstâncias como essa, que dificultam a produção. Os consultores auxiliarão fazendo comentários técnicos.

Produtor de milho e soja em Formosa do Rio Preto, município da microrregião de Barreiras, a  mil quilômetros da capital, Luiz Antônio Pradella vai falar sobre as suas estratégias para lidar com a falta de chuvas, como a adoção da rotação de culturas, o plantio direto e o uso de variedades mais resistentes.

Uma das informações que Pradella levará aos demais produtores é  sobre os comportamentos das sementes convencionais e transgênicas da soja em veranicos. 
"A Passarela é um demonstrativo das possibilidades da região e traz novos fatos. Vou lá falar da minha experiência e ouvir as dos outros", diz o produtor.

Desafios na região

As mudanças climáticas têm causado prejuízos nas plantações do oeste baiano nos últimos quatro anos. As  chuvas abaixo do esperado no mês de janeiro produziram uma perda de aproximadamente R$ 604 milhões aos produtores.

Com 220 mil hectares plantados, o milho teve perda de produtividade, passando de 163 sacas por hectare para 135 sacas. A soja, por sua vez, sofreu uma queda menor, de 56 sacas para 50 sacas por hectare. A região plantou 1,42 milhão de hectares da leguminosa.

As últimas chuvas na região aconteceram no Natal. No mês passado, choveu pouco, com algumas ocorrências bem localizadas, favorecendo uma parcela pequena das propriedades.
"Isso pode afetar a próxima safra por dois motivos: essa perda de produção é uma receita que não vai estar no bolso do produtor e há três safras ele está de bolso vazio, portanto, estará com recursos mais limitados", avalia o diretor de relações institucionais da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Ivanir Maia.

Mas Ivanir observa que, apesar de os veranicos serem um problema,  já não são motivo de pânico entre os produtores há alguns anos devido ao uso de tecnologias e técnicas  na produção que ajudam a lidar com a redução da ocorrência de chuvas.

Lagarta e mosca

O maior desafio da região, segundo Maia, tem sido lidar com pragas e doenças, algumas delas, como a lagarta Helicoverpa armigera, recentes na região. Além da lagarta, a mosca-branca e o bicudo-do-algodoeiro são as principais ameaças às plantações da região oeste.

Essas ameaças fitossanitárias têm aumentado os custos de produção. "Esse controle hoje corresponde a 40% dos nossos custos de produção.  Esse gasto com o controle de pragas e de doenças praticamente dobrou depois que a Helicoverpa armigera passou a atacar", conta o diretor da Aiba.