Soja brasileira termina a semana mais competitiva do que a dos EUA; preços sobem até 7%

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22/05/2017
Notícias Online - Seagri
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Agronégocio

Soja brasileira termina a semana mais competitiva do que a dos EUA; preços sobem até 7%

 

Essa foi uma semana atípica para os preços da soja. Tanto no cenário internacional, quanto no interno, as cotações sofreram uma significativa influência das cenas políticas no Brasil e nos Estados Unidos, o que motivou uma movimentação bastante severa dos preços na sessão da última quinta-feira (19) como há um tempo já não se via acontecer na Bolsa de Chicago. "A semana foi um furacão", disse o analista de mercado Miguel Biegai, da OTCex Group, de Genebra, na Suíça. 

Ânimos menos agitados, o mercado buscou, no pregão desta sexta-feira, 19 de maio, recuperar parte das últimas baixas e encerrou o dia com pequenas altas entre 7 e 8,25 pontos, e os principais contratos ainda na casa dos US$ 9,50 por bushel. Os ganhos não chegaram a 1%, contra as baixas no pregão anterior que superaram os 2%. 

"Depois de atingir o pior patamar em um mês, na sessão desta quinta, com queda de 31 cents, o mercado buscou alguma recuperação. Porém, o câmbio, bem como a grande oferta mundial, limitou ganhos mais expressivos", explicou o eocnomista e analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais.

Assim, na semana, o balanço feito pelo economista do Notícias Agrícolas, André Bitencourt Lopes, mostra que as posições mais negociadas fecharam a semana com baixas de 0,83% e 1,09%. O julho/17 ficou em US$ 9,53. 

Competitividade: Brasil x EUA

De quinta-feira em diante, todas as atenções dos traders passaram a se voltar para os desdobramentos no Brasil das delações do empresário Joesley Batista, da JBS, envolvendo o presidente Michel Temer, principalmente, além dos demais políticos. 

A reação do dólar foi imediata - com uma alta de 8% - e a movimentação do câmbio voltou a ser um dos principais fatores observados para a formação das cotações da oleaginosa. Para Biegai, "Chicago ainda vai ter o dólar como fator preponderante no curto prazo. A política brasileira virou um fator determinante para os preços da soja no mercado internacional". 

E isso acontece porque o quadro definido - em função do câmbio - de uma competitividade maior dos Estados Unidos frente ao Brasil se alterou completamente e a demanda está de volta ao Brasil de forma muito mais expressiva do que vinha sendo observado nas últimas semanas. A desvalorização da moeda nacional chamou os compradores e negócios, somente na quinta-feira, de 500 mil a 1 milhão de toneladas, foram efetivados, ainda segundo o analista da OTCex Group. 

"O produtor brasileiro vendeu uma parte da sua safra porque visualizou uma oportunidade. E agora ele volta a se retrair, buscando vender em preços um pouco melhores nos próximos dias. A alta do dólar compensou muito as baixas em Chicago", disse. 

De olho no dólar e em seu comportamento frente ao real, portanto, "Os players internacionais temem que a brusca queda da moeda brasileira possa desencadear uma erupção de vendas no mercado físico brasileiro", diz a AgResource Brasil em seu reporte diário. "Caso aconteça, o cenário de vendas agressivas pode aniquilar as chances de competitividade da soja norte-americana no mercado internacional, com a demanda global, em especial China, focando ainda mais o produto do Brasil", completa o boletim. 

Nesta sexta-feira, porém, o dia foi de ajustes e a moeda americana já encerrou seus negócios com uma queda de quase 4%, para fechar com R$ 3,2571, depois de bater em R$ 3,40 na sessão anterior. 

"O movimento da véspera foi muito irracional. Vamos ter um alteração dos cenários, mas a mudança nos fundamentos não vai ser tão rápida nem tão intensa", avaliou o analista da corretora XP Marco Saravalle em entrevista à agência de notícias Reuters.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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