Zoneamento Agrícola de Risco Climático do Cacau é discutido na Seagri

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17/06/2019

A proposta do novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a Cultura do Cacau na Bahia foi apresentada e discutida na última quarta-feira, 12, no auditório da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do Estado da Bahia (Seagri). O instrumento visa a redução de riscos climáticos na agricultura para evitar que as adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis da cultura.

O estudo mapeou os melhores municípios que reúnem as características necessárias para se plantar o cacau dependendo apenas da água da chuva (cultura de sequeiro), quais as regiões com limitação hídrica que exigem irrigação para que a plantação prospere, assim como a melhor época para o plantio em diferentes tipos de solo e ciclos das espécies melhoradas desta cultura através das pesquisas.

O principal objetivo deste instrumento é dar ao agricultor a informação confiável das regiões com os menores riscos climáticos para evitar perdas agrícolas desnecessárias e possibilitar a ampliação da produção e da produtividade do cacau para que o país volte a ser o maior exportador de cacau do mundo.

Nos próximos dias, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deverá publicar as portarias com o resultado deste e de outros estudos com o zoneamento agrícola para cada estado do país, contendo a relação dos municípios mais indicados ao plantio e seus respectivos calendários de plantio ou semeadura.

A partir da publicação da portaria, o ZARC do cacau passará a municiar as políticas públicas agrícolas e a ser a mais importante ferramenta utilizada pelos bancos para a concessão de créditos para o financiamento da produção agrícola. A publicação também garante uma redução de custos com a seguridade agrícola ao produtor rural que cultivar nos municípios indicados no zoneamento.

Para o secretário da Seagri, Lucas Costa, o zoneamento é um importante instrumento para os bancos fomentarem o cacau irrigado na Bahia, e não só nas áreas tradicionais do Estado onde predomina o cacau cabruca, como o Extremo Sul, o Baixo Sul e o Recôncavo Baiano. Cabruca é um modelo de manejo para o cacau cultivado junto com as outras árvores da mata, em que a sombra delas ajuda no desenvolvimento do cacaueiro.

A apresentação foi feita na Seagri pelo pesquisador da Embrapa Maurício Antônio Coelho Filho, ponto focal do zoneamento na Bahia. “O banco usará a portaria do Mapa como referência para o valor que será aportado de recursos para o crédito agrícola. Já o seguro irá pagar menos onde há um risco climático maior”, explicou.

O estudo foi elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), e coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através de uma metodologia que utilizou diversas bases de dados de forma homogênea e sem inconsistências, com séries históricas dos elementos climáticos. 

Iniciado em setembro de 2018, o estudo analisou os parâmetros de clima, solo e ciclos de cultivares para delimitar as regiões que oferecem os menores riscos para o plantio do cacau de acordo com a disponibilidade de água, regime hídrico, tipo de solo, temperatura, radiação solar, quantidade de vento, de umidade relativa do ar. Os estudos para o zoneamento agrícola de risco climático são revisados anualmente.

Participaram da apresentação representantes de diversos órgãos e entidades ligados ao tema para contribuir com as discussões.

 

Ascom Seagri

Letícia Belém

Fotos: Letícia Belém