Bahia trabalha para aumentar exportação de animais de corte e carne

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13/01/2020

O interesse pela proteína de origem animal, em todo o mundo, é crescente. E a Bahia tem posição de destaque nesse cenário, na condição de produtor. Nos últimos meses, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) vem recebendo representantes de diversos países interessados em fechar negócios dentro da cadeia produtiva da carne e nesta sexta-feira (10/01), uma importante reunião sobre o tema foi realizada no gabinete do secretário Lucas Costa, contando com a participação do presidente da Federação das Associações Muçulmanas Brasileiras, Mohamed Zogmbi.

 

O interesse de vários países de maioria muçulmana, segundo Zogmbi, é pelo bovino vivo, tanto para abate imediato quanto para engorda e depois abate. “O Egito, por exemplo, tem interesse nessas duas modalidades. Lá, o boi que chega e é logo abatido tem preço de carne menor. E o que chega ao país e passa de 90 a 120 dias em engorda e cuidados, acaba sendo considerado como originário de rebanho local e, quando o animal é abatido, sua carne tem maior valor de mercado”, explicou o presidente da Federação das Associações Muçulmanas Brasileiras.

 

A Bahia desperta o interesse do mercado internacional da carne por diversos motivos. Tem rebanho numeroso, bons protocolos de vigilância sanitária e tecnologia de manejo de qualidade, tanto que atualmente o estado tem destaque no campo da genética bovina. Somado a tudo, a Bahia também possui boa parte de seus rebanhos próxima dos portos de exportação, o que diminui os custos de transporte, aumentando a competitividade dos criadores. Essas vantagens são muitas claras no negócio dos bovinos, mas também se mostra nas criações de ovinos, caprinos e suínos.

 

“O Porto de Ilhéus, por exemplo, comporta navios com capacidade para cerca de oito mil cabeças de bovinos vivos. É um montante considerável. E o Porto de Salvador vai bem além disso”, lembrou o secretário da Seagri, Lucas Costa.

 

Na reunião foi discutida a atual situação do mercado internacional da carne e apresentado todo o funcionamento dos negócios nesse campo. Mohamed Zogmbi aproveitou a oportunidade para também dimensionar o mercado consumidor de proteína de origem animal dos países muçulmanos. Foi anunciado, ainda, que em fevereiro 17 embaixadores de países muçulmanos devem se encontrar com os nove governadores dos estados nordestinos, dando um importante passo para a efetivação desse canal de negócios.

 

Um grupo de trabalho foi montado dentro da Seagri para que seja dado prosseguimento aos entendimentos de exportação de carne e de animais vivos. Esse grupo também ficou responsável por dar andamento às demandas levantadas na reunião, na busca por soluções que viabilizem o projeto de exportação. A busca é por viabilizar economicamente essa relação entre os produtores de animais da Bahia e do Nordeste e os grandes compradores e frigoríficos dos países interessados.

 

Além dos países muçulmanos, a Seagri, em encontros já realizados, trouxe à mesa de discussões o negócio da proteína de origem animal com representantes da Itália, China, Chile, Turquia e Uruguai. Recentemente, saíram da Bahia 10.400 cabeças de bovinos para a Turquia e 20 mil para o Uruguai e Rio Grande do Sul, em negócios que já representam resultados palpáveis das negociações que vêm sendo feitas com toda a cadeia produtiva da carne.

 

Estiveram presentes à reunião, além do secretário Lucas Costas e do presidente da Federação das Associações Muçulmanas Brasileiras, Mohamed Zogmbi, também Paulo Emílio Torres (superintendente do Ministério da Agricultura na Bahia), Carlos Gabas (secretário executivo do Consórcio Nordeste), Adriano Bouzas (superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri), Eduardo Rodrigues (superintendente de Políticas do Agronegócio, Seagri), Matheus Barreto Gomes e William Torres, assessores do secretário Lucas Costa, além de representantes do Estabelecimento de Pré-Embarque (EPE).