Região consolidada do agronegócio no estado, o Oeste tem mostrado potencial para o cacau, com produtividade 177% maior do que a melhor média do país

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12/07/2021

O Oeste da Bahia é uma região já consolidada do agronegócio no estado. Destaca-se pelos grandes plantios de soja, milho e algodão, mas também possui projetos em diversas áreas ligadas ao campo, como criação de gado de corte, abatedouros de aves, uma fruticultura estabelecida e em crescimento, dentre outras atividades. Eis que, agora, uma nova cultura começa a ser trabalhada na região, e com números de produtividade que vêm chamando a atenção. Trata-se do cacau, fruto conhecido por sua história na região Sul da Bahia e que agora começa a experimentar outras áreas no estado.

As áreas plantadas no Oeste ainda estão em fase experimental, mas os resultados impressionam. Em Riachão das Neves há o exemplo da Fazenda Solaris, que vem registrando produtividade de 2.550 kg/hectare. Para se ter uma ideia, no Pará, onde atualmente se tem as melhores marcas do Brasil acerca da produtividade do cultivo, dados do IBGE de 2019 apontam média de 918 kg/hectare. Ou seja, na plantação experimental de Riachão das Neves vem sendo alcançada uma produtividade 177% maior do que a média paranaense. E se pegarmos os números da média baiana de produtividade do cacau, que são de 274 kg/hectare, fica fácil entender o porquê dessa implantação da cultura no Oeste ser tema que vem chamando a atenção de especialistas de todo o Brasil, país que, aliás, tem uma média de produtividade de 446 kg/hectare.

A implantação do cacau no Oeste da Bahia é o resultado de um projeto que vem sendo levado à frente há sete anos, com acompanhado próximo da SEAGRI. Atualmente, seis fazendas no Oeste fazem experimentos com o cacau, totalizando uma área de plantio de 180 hectares. Há um viveiro de produção em Riachão das Neves, com estufa para 1.200 mudas, no Projeto Barra do Riacho, a 34 km de Barreiras. No final do projeto, as estufas receberão 2 milhões de mudas de cacau por ano.

“Os números da produtividade da cultura na região vêm nos deixando entusiasmados. Em 2021, estimamos que à área já plantada com cacau no Oeste serão acrescentados pelo menos mais 840 hectares. Estamos presenciando o início de um novo ciclo para o cacau na Bahia, com estímulo da produção nas regiões tradicionais e acréscimo da região Oeste, que chega com muita força”, comenta o secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia, João Carlos Oliveira.

No Oeste, para o estabelecimento das mudas na lavoura, não vem sendo utilizado sombreamento definitivo, e sim provisório. Nesse tipo de sistema, são utilizados clones tolerantes à doença fúngica vassoura de bruxa. Esses clones, quando irrigados, apresentam alta produtividade. Segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), as copas que já se mostraram eficientes para plantio no Cerrado são a PS1319 e a CCN51. Porém, nesse momento, existem outras 26 variedades de cacau em teste para conferência de adaptabilidade ao clima e aos terrenos do Oeste da Bahia.

Emprego e renda – O Brasil é o sétimo maior produtor de cacau no mundo. Além de sucos, polpas e doces, do cacau se extrai as amêndoas que, processadas, transformam-se em deliciosos chocolates. Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), o setor gera no Brasil cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos, aproximadamente 95 mil só na Bahia.

O estado da Bahia, atualmente, possui todos os elos da cadeia produtiva do cacau e do chocolate. Da produção da amêndoa ao chocolate, passando pelo processamento, tudo pode ser realizado em território baiano. Isso se soma ao interesse do mercado internacional pelo produto, o que faz com que o cacau seja uma commoditie importante nas negociações internacionais de exportação. A Bahia, segundo dados de 2021 da AIPC (janeiro a maio), é a maior produtora de amêndoa de cacau do país, sendo responsável por 71,8% de toda a oferta nacional.

 

Texto: Ascom SEAGRI
Foto: Div./AIBA
Imagem manipulada: Ascom/SEAGRI