O Fundesis é uma iniciativa da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia em parceria com o BNB e é direcionado à região Oeste do Estado. Já atendeu a 170 projetos e mais de 200 mil pessoas

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29/11/2021

 

O Fundo para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Bahia (Fundesis) foi criado em 2006 e, desde lá, vem beneficiando entidades e projetos que incentivem o desenvolvimento socioeconômico do Oeste da Bahia. Em seus sucessivos editais, iniciados em 2007, financia iniciativas que tenham ações voltadas para educação, saúde preventiva, inclusão social e digital, geração de renda e empreendedorismo, agricultura sustentável, dentre outras. Agora, o Fundesis está com novo edital lançado, com inscrições até a próxima quarta-feira (1º de dezembro) e disponibilização de recursos da ordem dos R$ 2,7 milhões. Podem concorrer instituições sem fins lucrativos que estejam sediadas em cidades do Oeste baiano. O atual edital, que é o décimo na história do Fundo, premiará projetos de até R$ 80 mil. 

Os editais do Fundesis, juntos, somando com os atuais R$ 2,7 milhões da edição 2021, ultrapassam o montante dos R$ 10 milhões investidos em iniciativas desenvolvidas em creches, escolas, centros culturais, orfanatos e abrigos que atendem bebês, crianças, jovens, adultos, portadores de necessidades especiais e idosos. O Fundo foi criado através de parceria entre a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA) e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

“Nos 15 anos de atuação do Fundesis, chegamos aos 170 projetos financiados e executados. Foram nove editais que atingiram 96 entidades sociais sediadas em 16 municípios do Oeste baiano, beneficiando diretamente cerca de 200 mil pessoas. Como se vê, são números potentes. Agora, chegamos ao nosso décimo edital, que também é um marco por ser o de maior valor de nossa trajetória: R$ 2,7 milhões. Temos certeza de que o Fundo tem sido muito importante para transformar a vida dos mais necessitados em nossa região”, disse o presidente do Fundesis, Odacil Ranzi.

Por regimento, o presidente da AIBA acumula algumas funções, dentre elas a presidência do Fundesis. Outros diretores da AIBA também acumulam funções no Fundesis, em um trabalho sem remuneração, mas cujo pagamento “é muito maior do que qualquer valor em dinheiro. O Fundesis promove a valorização humana, e isso é muito gratificante para todos nós que nos dedicamos a essa causa”, complementou Ranzi.

O dinheiro do Fundo é conseguido através de doações espontâneas de associados da Aiba. Ao realizarem o financiamento do custeio de suas lavouras, junto ao Banco do Nordeste, já destinam alguma porcentagem ao Fundesis. Alguns direcionam 0,10%, outros 0,20%, 0,30% e por aí vai. Foi a soma desses montantes individuais que chegou, agora em 2021, ao montante dos R$ 2,7 milhões que compõem o atual edital.

“O impacto social que o Fundesis promove na vida dos beneficiários é visível por meio do desenvolvimento sustentável alcançado pelas comunidades contempladas. Assim, o produtor rural faz sua parte, transformando seu esforço no campo em doações que chegam às entidades e transformam vidas e histórias”, avaliou a coordenadora do Fundesis, Aléssia Oliveira.

Outra vantagem do processo organizado pelo Fundo é que ele traz toda a expertise da AIBA, que é formada por empreendedores acostumados a gerir projetos exitosos dentro da iniciativa privada. Quando aprovado, o projeto indica seus gestores e esses passam por uma capacitação do Sebrae na qual aprendem a lidar com fornecedores, conseguir melhores preços para a realização de seus projetos, gerir montantes financeiros e montar prestações de contas. O dinheiro é liberado em três etapas, todas elas bem especificadas no projeto, sendo que os valores de cada etapa só são disponibilizados quando a fase anterior está totalmente superada e avaliada. “Ensinamos a brigar por preços, a exigir bons serviços, a capacitar os colaboradores, a envolver as equipes nas ações. Com isso, até hoje, todos os projetos contemplados nos editais foram concluídos e todos estão em funcionamento”, dimensionou o presidente do Fundesis. 

Os impactos das ações do Fundo na região Oeste são numerosos. Vão desde a transformação social das pessoas atingidas e suas famílias até a geração de novos postos de trabalho, temporários e fixos. Além disso, há melhorias nas ações educativas, culturais e esportivas, tudo impactando na redução de índices de criminalidade e marginalidade. A melhoria no atendimento a pessoas com deficiência é outro resultado percebido na região, dentre outros benefícios.

Produtores e empresas que contribuem com o Fundo ganham autorização para fazerem uso do selo Amigo da Comunidade, que pode ser estampado em seus produtos, embalagens, comunicações e materiais de papelaria. Com o selo, o empreendimento ganha um fortalecimento da sua imagem corporativa junto à toda a comunidade, agregando valor à marca. Além disso, a obtenção do registro para o selo possibilita o lançamento dos recursos doados no balanço social da empresa.

Transformando vidas – Delma Pedra dirige a Casa de Reintegração Social Nova Vida (criada em 1992) e a Associação de Amparo ao Menor Carente (a Amec, criada em 1996), ambas sediadas na cidade de Barreiras. A primeira cuida atualmente de 56 homens, todos maiores de idade, que lutam contra a dependência química. Já na Amec, cujo trabalho é direcionado para crianças e adolescentes em situação de risco sociais e/ou abandono, são atualmente atendidos oito “pequenos moradores”, como disse Delma Pedra. Nos dois casos, os atendidos permanecem nas instituições, via de regra, por longos períodos, sendo que, no caso dos usuários de drogas, esse abrigamento se estende entre seis meses e um ano. 

“As duas instituições foram contempladas em editais do Fundesis. Fizemos uma quadra poliesportiva, banheiros, lavanderia, um sistema de captação de energia solar, reformamos estruturas e fizemos novos cômodos. Tudo para melhor servir a comunidade, os que necessitam. O Fundo é de vital importância para a realização desse tipo de trabalho, é o concretizador de sonhos e ideias”, comentou a incansável Delma, que, dentre suas ações mais recentes, também fundou, em 2018, uma outra casa para amparar dependentes químicos, desta vez voltada para mulheres. “Na casa das mulheres, a capacidade é para 12 pessoas. E para manter esse novo trabalho, também contamos com o Fundesis”, disse Delma Pedra.

Já Daiane Gorgen preside a Amigos Autistas de Luís Eduardo Magalhães (Ama), fundada em 2016. “Começamos em uma sala na qual havia um trabalho de terapia ocupacional para oito crianças. Hoje, são 150”, relembrou a bacharel em ciências contábeis que arregaçou as mangas para cuidar do filho, diagnosticado com transtorno do espectro autista quando tinha um ano e oito meses. “Mergulhei nesse universo e percebi o quanto havia a necessidade de uma casa especializada na nossa região. Ao meu filho, sempre pude fornecer o atendimento individual e multidisciplinar que o autismo exige. Mas, e as outras crianças? Resolvi criar um projeto para isso”, disse Daiane.

Hoje, o filho de Daiane tem oito anos de idade e segue se desenvolvendo, vencendo obstáculos, um a um. Assim como todas as dezenas de crianças e adolescentes da Ama. “De nossas crianças, cerca de 70% são de famílias com renda de um salário mínimo e as outras 30% têm rendimentos ainda menores, na linha da pobreza mesmo. Este trabalho é essencial para quem atendemos e suas famílias”, comenta a presidente da associação onde hoje trabalham 16 profissionais.

A Ama foi contemplada em dois editais do Fundesis. Os valores possibilitaram a viabilização do aluguel de uma sede própria, sua reforma, aquisição de material para terapias e estruturação do espaço para as necessidades de pessoas com autismo. “No começo de nosso projeto, nem tínhamos onde os pais se sentarem, na recepção, para esperar seus filhos em atendimento. Isso me doía demais. Hoje, com o apoio do Fundesis e também de toda a comunidade de Luís Eduardo Magalhães, temos um espaço digno para nossas crianças, no qual desenvolvemos o trabalho de excelência que elas e suas famílias merecem”, concluiu a presidenta da Ama.  

Sempre em frente – Ainda com o décimo edital em curso, a equipe do Fundesis já parte para novas etapas do projeto de fortalecimento de suas ações. No início de novembro foi firmado termo de parceria entre o Fundo e a cooperativa de crédito Sicredi, que atua em todas as regiões do país, com presença crescente no Oeste da Bahia. A parceria passa a ter resultados práticos a partir do próximo edital, pois os recursos para o edital que está aberto já foram levantados. Mas a chegada de uma nova e consolidada marca ao Fundesis só reforça a importância dessa iniciativa. O Sincredi passa a ter cadeira no Conselho Deliberativo do Fundo para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Bahia e, a partir do próximo edital, participa diretamente da avaliação e escolha dos projetos que serão contemplados. 

Outras informações sobre o décimo edital do Fundo para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Bahia podem ser conseguidas no site da AIBA (https://aiba.org.br/), pelos fones (77) 3613 - 8000/3613 – 8026 e ainda pelo  e-mail fundesis@aiba.org.br. Para acessar o edital, clique aqui.

 

Texto: Ascom/SEAGRI
Imagem manipulada: Div./Ascom SEAGRI